Artigo: Professor destaca os desafios das emissoras públicas

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Para Ruy Rocha, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte/UFRN, é preciso que as emissoras públicas sejam instituições abertas à participação efetiva dos cidadãos.

Toda emissora de rádio ou de TV, por utilizar recursos públicos, é uma concessão outorgada pelo Estado. Entretanto, algumas estão sob gestão da iniciativa privada. As emissoras sob gestão de entidades públicas, como é o caso da TV Brasil no âmbito nacional, da TVU e da FM Universitária no Rio Grande do Norte, são públicas por concessão e por gestão. Ou deveriam ser.

Não basta que empresas de radiodifusão sejam financiadas com recursos diretamente advindos dos impostos ou que utilizem o espectro eletromagnético para serem consideradas verdadeiramente públicas. É preciso que sejam instituições abertas à participação efetiva dos cidadãos. Isto acontece por meio de conselhos com representação da comunidade, audiências públicas, ouvidoria e outras estratégias determinantes para a gestão democrática.

Emissoras públicas devem colaborar para a informação, a educação e o entretenimento de qualidade, buscando a audiência sem sacrificar a ética, o compromisso com a cultura, a ciência e o pensamento crítico.

Com a criação da TV Brasil e com a realização da Conferência Nacional de Comunicação, criou-se grande expectativa quanto aos avanços na democratização da comunicação. Entretanto, os desafios são grandiosos na batalha por informação, conhecimento e emancipação humana.

Chamam a atenção questões importantes envolvendo a TV Cultura e as Rádios Cultura de São Paulo, a TVU e a FMU no RN. Em São Paulo, tem lugar uma campanha contra o uso partidário destes meios fundamentais para o desenvolvimento humano de todo o país.

No RN, funcionários da primeira TV a produzir e transmitir conteúdos para o estado e da rádio mais comprometida com a cultura potiguar se manifestam, denunciando profundas deficiências na gestão, em carta aberta a reitora Angela Paiva. Isto ajuda a explicar porque emissoras tão importantes vêm perdendo protagonismo, deixando de se comunicar com uma audiência mais ampla. Os problemas se agravam, quando se considera a importância de produzir conhecimento na sociedade da informação. Na era da convergência digital, os meios públicos de comunicação são essenciais para defender a democracia e superar os problemas contemporâneos.

A FMU e TVU são vinculadas à UFRN. Podem e devem contribuir para valorizar a imagem da maior instituição universitária do estado. Mas, só poderão fazê-lo se antes cumprirem o seu dever, liderando a comunicação pública, dialogando com grandes parcelas da população. Esta missão só pode se realizar mediante renovação dos processos e dos conteúdos, decorrente de uma gestão democrática e renovadora.

Fonte: http://informabr.com/