As ‘estações numéricas’ de rádio que sobreviveram à Guerra Fria

0
295

Vivemos na era da espionagem ultratecnológica e dos e-mails criptografados. No entanto, nas rádios de ondas curtas, ainda é possível escutar uma forma de espionagem muito antiquada…

São as 13h03 de uma terça-feira em um quarto cheio de equipamentos de rádio relativamente avançados. De repente, se houve uma mensagem de 10 minutos em código Morse.

Há uma pequena comunidade de fãs que acreditam que este tipo de mensagens são vestígios da Guerra Fria. São as misteriosas “estações numéricas”.

‘Ein… zwei… drei…’

No clímax da Guerra Fria, os amantes da rádio em todo o mundo começaram a perceber a transmissões surpreendentes.

Elas começam com uma música estranha ou o som de diversos apitos, que podem se seguir do som inquietante de uma voz de mulher contando em alemão ou da voz de uma criança recitando letras em inglês.

Ao encontrar essas mensagens em ondas curtas, muitos entusiastas do rádio concluíram que elas estavam sendo usadas para enviar informação codificada através de distâncias muito longas.

Escutar esse tipo de mensagem era uma experiência curiosa. Os ouvintes logo começaram a chamá-las com nomes pitorescos como “A rapsódia sueca”, “A estação gong” e “Nancy Adam Susan”.

Os tempos mudaram e a tecnologia se desenvolveu, mas há indicações de que este método de comunicação aparentemente antiquado ainda pode estar sendo utilizado.

De acordo com alguns especialistas em espionagem, estações numéricas em ondas curtas podem parecer de baixa tecnologia, mas elas provavelmente continuam sendo a melhor opção para transmitir informação a agentes secretos.

“Ninguém encontrou até hoje uma maneira mais conveniente de se comunicar com um agente”, diz Rupert Allason, um autor especializado em espionagem, que escreveu sob o pseudônimo Nigel West.

“Para agências de inteligência, o único propósito é comunicar-se com seus agentes em áreas proibidas – territórios onde é difícil usar uma forma de comunicação normal”, diz Allason.

Um ex-oficial do Quartel-general de Comunicações do governo britânico (GCHQ, na sigla em inglês) – que pediu para não ser nomeado e cuja tarefa era interceptar sinais enviados ao Reino Unido e procurar por essas estações numéricas nos anos 1980 –, acredita que as transmissões eram destinadas a agentes em campo ou a embaixadas.

Era uma “via de mão única”: as emissoras transmitiam números para os destinarários. Eles não respondiam.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/