Como mudar em um mundo que exige a mudança?

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Publicado por: Comunicação | 31 de julho de 2020

Há uma inércia das empresas em relação a forma como elas
fazem as coisas. Isso é natural. Mudar atitudes envolve mudar valores, crenças
profundas. O problema é que muitas vezes elas são limitantes e são elas que
levam aos comportamentos. Uma empresa que tem um tipo de comportamento ao longo
de anos ou décadas e se vê diante de uma necessidade de mudança urgente vai ter
uma resistência natural porque precisa remodelar a forma de ver o mundo. A
pandemia apresentou este novo cenário em um grau raramente vivenciado pela
humanidade.

“Ela trouxe a necessidade de viver a mudança na prática de
forma dramática. Por exemplo, se antes as empresas eram conscientes de que
precisam se digitalizar e tinham isso no horizonte, agora não adianta mais ter
esse objetivo, a questão é ser digital. A adaptabilidade não é mais algo
importante para se incorporar, é algo urgente para se colocar em prática.
Infelizmente, muitas empresas não entenderam ou não sabem como fazer isso”,
justifica Paulo Monteiro, consultor e coach em desenvolvimento organizacional e
humano, professor de MBA na FGV e autor de livros, entre eles A Reinvenção da
Empresa: Projeto Ômega.

Mas como sair de um ponto A para um ponto B? Para que as mudanças necessárias sejam mais assertivas as empresas devem se abrir para a nova realidade mantendo a essência. “É dessa forma que a natureza funciona, ela mantém o essencial e se reinventa e esse é um equilíbrio dinâmico, que pote até parecer um paradoxo, mas nós seres humanos também vivemos isso. Ao longo dos anos nos adaptamos a novos estímulos e desafios o tempo todo, mas mantemos a nossa identidade e nossa essência. Somos os mesmos, mas sempre diferentes. As empresas longevas fazem isso também, elas entendem o equilíbrio dinâmico e mantêm o núcleo, propósito, valores, identidade, mas conseguem se reinventar, modificando métodos, processos e até mesmo produtos, mas sempre mantendo o grande núcleo. Elas são dinâmicas, mas consistentes na identidade, esta é a melhor definição de adaptabilidade”, elucida Paulo.

O professor da FGV destaca que existe uma premissa que vem
antes das etapas do processo de mudança. “Ela deve vir de todos do sistema e
não ser imposta “top down”. Quando ela é imposta de cima para baixo, apenas de
forma informativa, ela não engaja os colaboradores, eles não se sentirão parte
da mudança. Desta forma, terão que “entubá-la”, aceitarão, mas não irão
incorporar nos seus corações e em suas vontades. Isso será limitante porque o
compromisso com a mudança será limitado. Certamente, alguns reclamarão, serão
mais vítimas do que protagonistas. Inclusive, esta é uma mudança de paradigma
das empresas brasileiras. O movimento precisa ser ecossistêmico, envolvendo a
todos desde o início”.

Mesmo a mudança sendo fenomenológica, emergencial, como a vivida atualmente, ela precisa ter uma estrutura mínima. Quando isto não ocorre a chance de se perder na mudança é maior, gerando mais estresse e angústia porque a mudança não avança. Para esclarecer e orientar sobre este processo, Paulo Monteiro cita John Kotter, em seu livro Liderando a Mudança, destacando quatro passos que podem ser seguidos por qualquer organização que precisa mudar:

  1. Ter a clareza de qual é a necessidade da mudança, ou seja, qual é a situação A que ficou obsoleta.
  2. Ter uma equipe que coordene esta jornada, principalmente se ela for de maior alcance. Grupos de trabalho ecossistêmicos devem ser formados para se definir a visão do que irá surgir, o rosto da situação B.  
  3. Uma vez definido o objetivo, se prototipa este novo caminho, testando este protótipo como um piloto que será corrigido e ajustado. De forma ágil.
  4. Consolidar a situação B como a nova realidade estabelecida, transformando-a através da comunicação institucional para os clientes e colaboradores.     

Fonte: AERP