Consultor da Abert afirma que sobrevivência do rádio passa pela conectividade

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Os radiodifusores que não despertarem para a convergência de mídias e para a internet terão dificuldades para sobreviver nos próximos anos. Essa é a opinião do empreendedor digital e consultor de tecnologia da Abert, André Quintão.
Em entrevista à Abert, o especialista em mídias digitais falou sobre a importância de o rádio usar as tecnologias disponíveis e a internet para alcançar os ouvintes que se enquadram na faixa etária abaixo dos 30 anos. “Esta é uma geração altamente conectada e já nasceu com o advento da internet. Consome menos informação no modelo tradicional de assistir TV e ouvir rádio”, disse.
André Quintão tem percorrido diversos estados do país para reforçar a divulgação do Mobilize-se, projeto da Abert que financia gratuitamente aplicativos para que as rádios possam oferecer programação em smartphones e tablets.  Até agora, 780 emissoras de todo o país receberam apps personalizados.
As emissoras interessadas em ganhar um app exclusivo devem acessar o site www.mobilize-se.net.br e preencher um cadastro. Ainda restam 220 licenças gratuitas. A rádio também pode fazer parte do app Abert – integrador de rádios, que reúne a programação de estações AM e FM. As emissoras interessadas devem preencher um formulário simples (clique aqui).
Confira a segunda parte da entrevista (clique aqui e leia a primeira).
– Pelo Projeto Mobilize-se, a Abert financia gratuitamente aplicativos para rádios e cadastra emissoras em um app próprio, o “integrador de rádios”. Na sua opinião, porque uma rádio deve ter um aplicativo?
A Abert foi desbravadora e empreendedora quando decidiu assumir a responsabilidade de levar às rádios o recurso de app próprio e o integrador de rádio. Esta iniciativa é louvável e demonstra o compromisso da entidade em não medir esforços para ajudar os radiodifusores a explorarem os dispositivos móveis como extensão para as rádios. 50% da internet hoje é acessada por dispositivo móvel. Hoje 52% da população mundial está abaixo dos 30 anos. Esta nova geração da humanidade consome menos informação no modelo tradicional – assistir tv, ou ficar buscando no dial qual a rádio que vai ouvir. Esta é uma geração altamente conectada e já nasceu com o advento da internet. É importantíssimo levar o rádio onde esse potencial consumidor está. A rádio que ainda não despertou para levar sua conteúdo até as plataformas móveis, está remando contra o seu próprio negócio.
– Como você enxerga o rádio nos próximos 10 ou 20 anos?
O radiodifusores que não despertarem para a internet e para os mecanismos disponíveis para atingir esse novo público, não irão sobreviver nos próximos cinco anos. É simples assim. As instituições que persistirem no modelo de negócio tradicional para as rádios, sem plataformas online, poderão ser consideradas como os fãs dos discos de vinil, onde a nostalgia mantém o negócio “sobrevivendo”, mas restaram somente alguns espécimes muito simplórias e não conhecidas pela grande parcela dos consumidores.
– Qual deve ser o dever de casa do rádio?
Primeira coisa é entender os recursos virtuais disponíveis.  O que é a internet, as mídias sociais, os aplicativos móveis e como funcionam. E se perguntar como ganhar dinheiro com isso? Estar na internet não quer dizer fazer de graça, muito pelo contrário. Radio é um negócio, e precisa ser economicamente saudável para seu crescimento e evolução. Inserir no seu DNA o contexto de que a internet é uma tecnologia parceira para crescer, não o contrário. Trazer recursos muito interessantes para auxiliar as rádios a passar por esse novo tsunami tecnológico.
Fonte: http://www.loucosporradio.com.br/