Histórias conectam as pessoas

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Publicado por: Comunicação | 31 de julho de 2020

Algumas empresas institucionalizaram o storytelling, a arte
de contar histórias, como prática gerencial, fazendo com que seu uso agregue valor
em diversas atividades como na comunicação corporativa, propaganda e gestão de
pessoas. Na Nike, por exemplo, todos os altos executivos são designados
“contadores de histórias corporativas”. Já a P&G contratou diretores de
Hollywood para ensinar técnicas para seus executivos.

Contar histórias é uma habilidade que pode ser aprendida e
aprimorada, além de ajudar na contextualização dos desafios, metas e objetivos,
como explica Ney Braga Alves, presidente da ADVB/PR (Associação dos Dirigentes
de Vendas e Marketing do Brasil). “É uma forma que ajuda a equipe a entender
melhor as razões e os porquês de cada tarefa a ser executada, tornando o
trabalho mais interessante e envolvente”.

Ainda de acordo com Ney, quando a equipe não entende as reais
motivações de uma tarefa, torna-se apenas “cumpridora de tarefa”. “O
storytelling ajuda-nos a enxergar as razões de cada meta, forma de trabalho e
processo. Com isso, conseguimos enxergar a floresta toda e não apenas a árvore.
Ou seja, enxergamos o objetivo além da tarefa”.

Lições

Contar histórias  é a arte e a ciência de transmitir contexto, desafios, oportunidades e resultados. O americano Spike Lee, diretor dos filmes “Faça a coisa certa”, “Malcolm X” e “O verão de Sam”, compartilhou sua experiência e conhecimento na arte de fazer filmes em um curso online. Em entrevista ao Portal Inc., compartilhou três dicas: pesquise, crie a história e faça o trabalho.

  • Pesquise – Lee é um pesquisador
    meticuloso. Antes de criar um filme, ele passa muito tempo mergulhando no
    contexto de seu tópico: ele lê livros e artigos; ouve a música daquela
    época ou contexto que ele está estudando e analisa trabalhos relacionados,
    incluindo filmes e documentários que outros podem ter feito sobre o
    assunto. “Sem pesquisa, sua história provavelmente será
    unilateral”, diz Lee.
  • Crie a história – Contar histórias é criar uma conexão
    emocional com o público. No mundo dos negócios, normalmente precisamos
    relatar dados, desempenho comercial ou mudança organizacional. Scott
    Berinato, editor sênior da Harvard Business Review, diz que contar
    histórias com dados não é sobre slides e números do PowerPoint, mas sobre
    configuração, conflito e resolução. Como exemplo, ele usa o seguinte
    enredo básico para explicar esses três termos: 1) A instalação é a situação
    atual: Charlie Brown corre para a bola. 2) Conflito é um acontecimento
    inesperado: Lucy pega a bola no último minuto. 3) Resolução é o resultado:
    Charlie Brown está chateado. Portanto, a instalação é a situação ou o
    contexto atual. O conflito é o desafio que enfrentamos e a resolução é como
    reagimos à situação de conflito. Existem muitas maneiras de criar uma
    história para criar um envolvimento emocional com seu público.
  • Faça o trabalho – “Não há desvios: é preciso fazer
    o trabalho”, diz Lee. No caso dele, isso significa escrever o script,
    que tem cerca de 120 páginas. Lee divide a tarefa em um produto menos
    intimidador de duas a três páginas por dia. Criar algo do nada requer
    trabalho – foco, organização e dedicação nas horas para escrever. Em um
    contexto de negócios,  não há atalhos. Você precisa trabalhar
    para criar uma história relevante e estabelecer uma conexão emocional com seu
    público, seja sua equipe, sua liderança, seus stakeholders ou, é claro, seus
    clientes. Trabalhe para definir a grande ideia e, em seguida, monte os
    dados de suporte para criar a história.

Fonte: AERP