Manter faixa com radiodifusão é um dos principais itens da agenda internacional do Brasil

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A nova onda do dividendo digital – que pretende atribuir a faixa de 470 MHz a 698 MHz para a banda larga móvel – é um dos assuntos mais importantes para a delegação brasileira na próxima Conferência Mundial de Radiocomunicação da UIT que acontecerá no ano que vem na Suíça.

Diversos países, com suporte das operadoras e principalmente dos fabricantes do universo da banda larga móvel, estão tentando identificar novas faixas para o serviço e uma das cotadas é justamente este pedaço onde, no Brasil, ficará alocada a radiodifusão após a liberação da faixa de 700 MHz.

O Brasil, até o momento, tem sido bem sucedido em conquistar apoio na região das Américas à sua proposta de “no change”, ou seja, não mudar a atribuição da faixa, apesar de oposição dos dois países mais fortes da região: EUA e Canadá.

“Acho que o grande item da Conferência são as faixas para os serviços móveis, porque para entrar um serviço novo tem que tirar alguém”, afirma Tarcísio Bakaus, coordenador de planejamento e atribuição de espectro da Anatel. Segundo ele, o objetivo é trabalhar dentro da região das Américas (a Região 2) para construir uma proposta interamericana (IAP) e chegar na conferência com o assunto ‘consensuado’ dentro da região. “Vejo que na faixa de 470 MHz a 698 MHz teremos um trabalho árduo para fazer a IAP”, afirma ele que participou do Congresso SET regional Centro-Oeste que aconteceu nesta quarta, 21.

Até o momento, 12 países concordaram com a proposta brasileira, mas, ele explica, é preciso haver mais de 5 países que apoiem a proposta e menos de 50% de oposição. Até a conferência do ano que vem, a Citel deverá se reunir mais duas vezes (fevereiro na Colômbia e agosto no Canadá), oportunidades em que o Brasil vai trabalhar para manter os apoiadores e selar uma IAP sobre esse assunto.

Bakaus explica que, independentemente do que for decidido tanto na Citel quanto na UIT, cada país é soberano para utilizar o espectro da maneira que lhe convier. A harmonização do uso das faixas, contudo, contribui para que não haja interferência nas regiões de fronteira, além de propiciar ganhos de escala na produção dos equipamentos.

Outras faixas

Se o Brasil quer manter o ‘statu quo’ em relação ao espectro da radiodifusão, o mesmo não se pode dizer sobre outras faixas. O Brasil, por exemplo, tem uma proposta de identificar a faixa de 1.427 MHz a 1.518 MHz, que hoje é usada para aplicações ponto-a-ponto, ponto-multiponto e telemetria, para a banda larga móvel.

O mesmo vale para a faixa de 3,4 GHz a 3,6 GHz – o famoso 3,5 GHz que a Anatel já tentou licitar diversas vezes. A ideia é que o mundo todo identifique essa faixa para o IMT, assim como o Brasil.

Fonte: http://www.teletime.com.br/