Migração da Rádio AM para FM e switch-off da TV analógica

0
349
views

Felipe Seixas Trindade (Abratel) analisou a migração da rádio AM para FM explicando as desvantagens da rádio AM na atualidade e afirmando que a “poluição espectral (causada pelo aumento do ruído urbano) aumenta a interferência; a urbanização prejudica a condutividade dos solos, que é essencial para a transmissão AM; a diminuição na produção industrial de aparelhos receptores aptos a receber o sinal AM; equipamentos de transmissão utilizados pelas emissoras AM são complexos e mais caros que os utilizados pelas FM”.

Ele explicou o uso da faixa FM estendida e que “o uso desta faixa será utilizada quando a quantidade de canais vagos na faixa FM não suportem a quantidade de migrantes vindos da faixa OM”.

Trindade disse que das 1.781 emissoras que estão em operação, hoje 1.386 optaram pela migração (78%), sendo aproximadamente 389 rádios que terão que esperar pela faixa FM-E (estendida), ou seja, 1000 emissoras poderiam migrar de imediato.

Para migrar, “o radiodifusor deverá ter capital suficiente para pagar a adaptação de outorga em parcela única, conforme estabelecido pelo Decreto 8.139/2013. Os investimentos para nova infraestrutura para transmitir em FM; e o custo de transmissão em AM e FM (simulcast) por 5 anos; além dos desafios que terão os que migrarem para a faixa estendida”.

O executivo acabou a primeira parte da sua palestra afirmando que os parâmetros utilizados pelo TCU para cálculo de preço mínimo para a cidade de Anápolis, GO, em potência A4 teria um “valor estimado em R$ 3.971.000, um valor totalmente inviável para o radiodifusor”.

WRC 2015

Na segunda parte da palestra, Trindade abordou o “espectro de radiodifusão e a conferência Mundial da UIT WRC 2015” e o “desligamento da TV analógica (2015-2018) e o Gired”.

Trindade explicou os resultados dos estudos preliminares da WRC 2015 e o que acontecerá na próxima reunião que se realiza ainda este ano. Neste ponto, ele disse que foi possível preservar a faixa de UHF 470 – 698 MHz, uma faixa de utilização massiva pela Radiodifusão no Brasil; que é necessária sua proteção, principalmente para garantir a Digitalização, já que, segundo ele, este “é um dos principais temas para o Brasil na WRC-15”.

Desligamento analógico

Finalmente, Trindade avançou para o processo de desligamento analógico no Brasil e em América Latina. Ele explicou que só em 2018 serão desligadas as cidades de Manaus, Belém, São Luís, Natal, João Pessoa, Maceió, Aracajú e Teresina (julho); Campo Grande, Cuiabá e Palmas (agosto); e Porto Velho, Macapá, Rio Branco e Boa Vista (novembro)”.

Ele avançou com os trabalhos feitos pelo Gired (Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição de Canais de TV e RTV) que neste momento trabalha no Grupo Técnico de Recepção (GT-Rx) para determinar a especificação das características técnicas e logística de distribuição do kit para o Bolsa Família; acompanhar as condições técnicas necessárias para recepção de TVD; e as técnicas de mitigação e solução de problemas de interferência.

Ele disse,que ainda existe o Grupo Técnico de Remanejamento (GT-Rm), que tem como principais desafios determinar a logística necessária para o ressarcimento dos radiodifusores que serão remanejados; e ver a viabilidade de antecipação de entrada do LTE.

E, finalmente, o Grupo Técnico de Comunicação (GT-Com) com desafios importantes como a condição para o desligamento da TV analógica: validação do atingimento da condição para o desligamento; e as estratégias de comunicação a ser desenvolvidas.

SET

Fonte: Associação Brasileira de Rádio e Televisão – ABRATEI