“Tinha momentos em que a vontade era desistir”, conta o diretor da primeira rádio AM brasileira a migrar para FM

0
205

Há uma semana, a primeira rádio brasileira a concluir a migração de AM para FM preparava-se para receber o ministro das Comunicações, André Figueiredo, e dar início a uma transmissão história.

A Nova Rádio Progresso, localizada em Juazeiro do Norte (CE), foi a primeira emissora a cumprir todos os procedimentos do longo caminho enfrentado pelos veículos que buscam entrar no mercado do FM. Na última sexta-feira (18), a rádio realizou o evento de inauguração da nova faixa e reuniu, na Praça Pública da cidade, autoridades e um grande público curioso sobre o novo momento.

No ar há 50 anos, a Nova Rádio Progresso AM transmitia até boa parte de algumas cidades dos estados da Paraíba e Pernambuco; por quase toda sua história, liderou a audiência entre as AMs. Também conhecida pelos ouvintes como “A Emissora do Povo”, a rádio inclui na programação conteúdo diversificado, com destaque para o jornalismo e o esporte.

Para levar aos radiodifusores do Paraná um pouco da experiência vivenciada pela emissora cearense durante o processo, o Portal da Aerp conversou, nesta quinta-feira (24), com o diretor-presidente da rádio, Antônio Firmino. Confira a entrevista.

Para Antonio Firmino, diretor da primeira rádio brasileira a migrar para o FM, a diminuição da área de abrangência pode ser compensada pela internet. FOTO: Nova Rádio Progresso

Portal AERP: Como a Nova Rádio Progresso se preparou para a migração?

Antônio Firmino: Podemos dizer que já estávamos prontos há mais de um ano. Desde o início do processo, fizemos tudo o que era necessário com a maior agilidade, porque traçamos um bom planejamento com bons profissionais. Corremos muito, mas quando chegou o boleto, agora no início do ano, foi só fazer o pagamento e logo vimos nossa autorização no Diário Oficial.


AERP: Quais foram as maiores dificuldades durante o processo?

Antônio: Tinha momentos em que a vontade era desistir. Foram mais de 50 certidões. Além de todas as despesas com essa documentação, tem ainda toda a parte burocrática que é complicada para quem não entende muito bem da área. Se não tivéssemos o apoio de bons profissionais, e da própria associação, teria sido ainda mais difícil. Posso dizer que foi um trabalho cansativo, mas buscamos aprender muito com tudo isso; hoje a sensação é de sucesso.


AERP: Vocês fizeram alguma mudança de conteúdo para entrar na concorrência com as FMs?

Antônio: Desde o ano passado, já mudamos cerca de 70% da nossa programação e estrutura. Se você não mudar, você perde mesmo; tem que ter inovação. Fizemos alterações no quadro pessoal, tiramos aqueles vícios antigos do rádio, mexemos na programação, na aparelhagem. Antes, mesmo sendo AM, já concorríamos com as FMs. Agora podemos competir em pé de igualdade e nossos ouvintes estão nos acompanhando.


AERP: Até que ponto a diminuição da área de abrangência influencia nos negócios?

Antônio: Não tenho dúvidas de que esse é um ponto negativo. Passamos de cerca de 800 quilômetros de cobertura para 200. No entanto, é possível contornar essa situação através da internet. Temos portal, aplicativo e hoje todo mundo tem celular. As pessoas podem acompanhar tudo de fora da cidade com a mesma qualidade. Acreditamos muito nisso como grande diferencial.

Conheça mais sobre a emissora cearense em www.radioprogressoam.com.br.

O post “Tinha momentos em que a vontade era desistir”, conta o diretor da primeira rádio AM brasileira a migrar para FM apareceu primeiro em Portal Aerp.