SEIS ANOS SEM NASCIMENTO MORAIS FILHO

19 de novembro de 2015 0 Por Equipe TudopraRádios

(EH COMUNISTAS!BRADAVA O POETA PARA O ASSOMBRO DE MUITOS)
Josemar Pinheiro(advogado, jornalista e fundador do Comitê de Defesa da Ilha de São Luís)
Faz seis anos (21/02/2009) que o poeta Nascimento Morais Filho foi para o andar de cima. Imagine-se ele hoje na república ora implantada sob a inspiração e condução do PCdoB no Maranhão onde gregos e troianos se tornam do dia para noite comunistasem profusão. Ele que bradava logo que chegava: Eh comunistas!”, para o espanto de todos, principalmente, nas redações dos jornais locais. Aí era mais quem se voltava para ele com ares de admiração e ao mesmo tempo de assombro. Nascimento, assim, descontraído, tentava tirar o ranço deixado pela campanha feita pelos clérigos da Igreja Católica, em tempos outros que não do Papa Francisco, contra Maria Aragão, a quem acusavam de “comer criancinha” e outras bobagens, espalhando o medo para que ninguém ousasse se aproximar dela, que, foi presa e torturada durante a ditadura militar e com altivez enfrentou seus algozes, conquistando até simpatias dos soldados quando esteve detida no Quartel da Polícia Militar, comocontou o ex-vereador da Câmara Municipal de São Luís, ativista político e jornalista Aldionor Salgado (desaparecido precocemente no ano passado e que deu um depoimento inesquecível nos 5 anos sem Nascimento) sob o testemunho ocular e de seu pai que pertencera à corporação naquela época. Nascimento só considerava comunistas de verdade duas pessoas: Maria Aragão e Luís Carlos Prestes. O restante que se denominavam comunistas ele dizia que pertenciam à “esquerda festiva” ou do “oba-oba”, e várias vezes proclamava: “Já não tenho medo dos velhos, mas dos novos!”É muito esquisito mesmo que comunistas se designem como cristãos, já que Karl Marx escreveu no Manifesto Comunista que “a religião é o ópio do povo”, mas em nossos dias, existem os socialistas cristãos, os solidaristas e os progressistas, além é claro, dos intolerantes e radicais de toda ordem, neonazistas, xiitas, talibãs e outras como o Estado Islâmico. Nascimento era mais da linha do “haygobiernosoy contra”, mas no sentido anarquista, um pouco beletrista e romântico combatente (tipo guevarista, há que seser duro sem perder a ternura jamais), na medida em que dificilmente se amoldava ao status quo vigente, isso comhilaridade e sarcasmo, não menos com a coragemdemonstrada durante a visita do ditador João Figueiredo a São Luísatacada a passeata pelo Polícia Especial do Exército que tentou arrancar de suas mãos e de outros ativistas a faixa “Fora Alcoa” e ele nela segurou firme para que não fosse levada e tal movimento foi tachado de radical pelo então presidente militar. Quando Ivar Saldanha como governador fechou a Merck por poluir aquele bairro e adjacências, Nascimento Morais Filho foi pessoal e solenemente aos Leões junto com Augusto Carvalho, Carlos Schalcher e membros do Comitê daquele bairro (Dona Diamantina, Tunico Martins) lhe prestar a solidariedade eapoio.Luiz Rocha então governador pretendeu homenageá-lo como uma medalha do Mérito Timbira e ele rejeitou, embora cultivasse amizade com o mesmo, a ponto de embora no Comitê de Defesa da Ilha (acolhendo-a somente no governo de Jackson por indicação doAldionor pelo fato de haver sido seu professor de Latim no Colégio Maristas, ao lado de William Moreira Lima), haver facilitado por intermédio de Leda Tjara (depois mulher do ex-senador e ex-governador do Piauí Hugo Napoleão) como Secretária de Educação e Cultura do Maranhão haver colaborado na aquisição de merenda escolar, fogões e carteiras para escolas comunitárias da zona rural de São Luís por nós assistidas na época, das quais é hoje remanescente a competente assistente social, professora e funcionária pública Jocenilde. A medalha emhomenagem a NMF proposta pela ex-vereadora Helena Barros Heluy na Câmara Vereadores de São Luís só foi recebida por seus filhos após sua morte em solenidade na FIEMA. Não é que na república ora proclamada no Maranhão acontecem coisas que deixariam Zé Morais de cabelo em pé, a começar pela questão do Convento das Mercês, da Fundação da Memória Republicana ou Fundação José Sarney como queiram, que ora esteve sendo mantida pelo governo, ora como fundação privada, e terminou como fundação pública, para guardar a memória do período da Nova República (1980-1985) presidida pelo ex-deputado federal, ex-governador e senador Sarney sempre eleito por esta unidade federativa, que em que pese todos os seus defeitos e virtudes(como eu dizia na Rádio Educadora de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”), não restará esquecido devido esses e outros salamaleques a ressuscitá-lo quando anuncia já haver renunciado a vida pública (não sei se ao poder). Será que a história o absolverá, comobem diz Fidel Castro. Nascimento teveatuação funcional, cultural, política e ideológica divergente da do Sarney, mas reconhecia o valor e a importância dele no contexto político estadual e nacional, sem poupá-lo de críticas ácidas, apesar de ser afilhado de Dona Vera Macieira, mãe de Dona Marly. Sempre fez oposição, acirrada, como franco atirador, tinha aversão pela vida partidária, sustentando que era feita deconveniências e falsidades, porém, a respeitava e até participou de encontro do PDT com a presença do deputado federal e ex-governador do Rio Grande do Sul, e também poeta Alceu Collares no antigo Colégio Maranhense e, contava-me uma história que em uma das discussões na Assembleia Legislativa do Maranhão entre os deputados Erasmo Dias, jornalista de boa cepa, da oposição, e Orlando Leite, governista (que foi meu professor de Teoria Geral do Estado na Faculdade de Direito), os dois só faltaram se agarrar tão forte e feroz o debate travado, e, logo depois, desceram juntos as escadas do Parlamento e se dirigiram ao Moto Bar, situado ali na Praça João Lisboa, e degustaram copos de cerveja juntos, ao que, ao ver a cena, Nascimento indignado disse a seu pai (o velho jornalista e professor do Liceu), não é possível, isso é lá oposição, respondendo seu genitor: – Eles são adversários, mas não são inimigos. A propósito disso, lembro-me de um episódio interessante, quando eu presidia o Diretório Municipal do PDT de São Luís e o partido tinha ainda grande prestígio e visibilidade junto às lideranças nacionais edemais agremiações democráticas, pela condução de Jackson Lago e Neiva Moreira, convidada uma comitiva de companheiros à qual me incorporei para a posse do governador Leonel Brizola e chegando ao aeroporto fomos surpreendidos com um aparato de carros pretos (oficiais, na maioria de parlamentares pedetistas) hospedagem no Othon Hotel, além de comida farta e guias, e, ao visitar a sede do PDT na Praça Tiradentes, o segundo na linha de importância na agremiação, Deputado Doutel de Andrade, de Santa Catarina, perguntou como tinha sido a recepção e todos assentiram que era muito boa, e eu, o interpelei: Gostei, mas estou um pouco incomodado com esse aparato de carros oficiais, porque no Maranhão como oposição combatemos duramente o uso de veículos públicos por correligionários e fora do uso em serviço, ao que retrucou Doutel: É meu jovem, todo poder tem sua majestade, os senhores são convidados do Governo do Estado do Rio de Janeiro, do governador Leonel de Moura Brizola, e como tal o cerimonial reserva-lhes toda essa atenção e apreço. Entendi então que estávamos recepcionados pelo poder, como convidados, e, como tal, não poderíamos ser tratados de outra forma. Poder sem majestade não é poder, dizia ele. Assim é que, causa-me espécie, e quanto não causaria a Nascimento Morais Filho, a venda daCasa de Veraneio do São Marcos (hoje rodeada de edifícios que lhe tiraram a privacidade e segurança), que, em exemplos como o da França, onde o governo não se descartou do Palácio de Versalhes e de outros tantos, em Paris, utilizá-la para visitação pública em que seriam constatados o modo burguês daconvivência e recolhimento de governantes ao longo dos últimos séculos. Demais não soa bem um governante se postar na fila de um bancoou de recusar-se a morar no Palácio dos Leões a pretexto de ser apenas funcionário público (olha o exemplo do ex-governador Cabral, do Rio de Janeiro, cujos protestos dos professores com apitos atazanavam a vizinhança no edifício onde preferiu morar ao Palácio Guanabara, que tal abrir, como sugeri para Dr. Jackson o Palácio que é do Povo para a visitação pública aos sábados, domingos e feriados, seria um forma de a população se empoderar do que é dela sem alarde, propaganda ou caráter popularesco, afinal, quem recebe a Alumar (Alcoa) por razões institucionais como chefe de um estado em transformação do capitalismo para o socialismo deve condescender que a investida no governo não se trata ainda de uma revolução (nem sequer dos cravos, já que foram aceitas as regras eleitorais) mas tentar superar as ferraduras do atraso, do conservadorismo e das contradições, com talento, competência e diplomacia política. E Nascimento Morais Filho (que não pôde ainda ser Patrono da Feira dos Livros de São Luís) continua a cumprimentar: EH Comunistas! para o temor de muitos e espanto de uma maioria. Salve o poeta e folclorista que ainda vive entre nós, por essas e outras tiradas imorredouras.
(com correções,acréscimos e supressões necessárias – 04/03/2015)